Desvalorização no mercado criativo leva jovens a migrarem de salvador para o Sudeste
Autora: Maria Eduarda Bessa

Quando se observam os talentos em destaque na moda e no mercado publicitário brasileiro, é notória a presença de grandes nomes baianos, especialmente soteropolitanos. Jornalistas de moda, modelos, designers e criadores de conteúdo compartilham a mesma origem, mas estão distantes de Salvador não por escolha, e sim por necessidade.
Durante a São Paulo Fashion Week, a maior semana de moda da América Latina, foram realizadas entrevistas com profissionais soteropolitanos presentes no evento. Entre os depoimentos, uma percepção se repetia: “Salvador é repleta de talentos, mas só nos valorizam quando saímos de lá”, afirma Bia Florent, criadora de conteúdo digital.
Segundo Rebeca Lee, modelo e influenciadora de moda e beleza, “As grandes marcas fazem questão de custear a vinda de profissionais de fora para Salvador, mesmo existindo pessoas competentes aqui. Por outro lado, quando somos contratados para esses mesmos trabalhos e eventos na cidade, geralmente são oferecidos valores abaixo da média do mercado. Me entristece ver a grande disparidade de tratamento que recebo das marcas quando estou, por exemplo, em São Paulo.” Como consequência, forma-se um ciclo de centralização de talentos e investimentos nos grandes centros do Sudeste, principalmente entre Rio de Janeiro e São Paulo, o que acaba esvaziando parte do potencial criativo de Salvador.
Apesar dos desafios, algumas iniciativas têm buscado transformar essa realidade. É o caso das grifes baianas Dendezeiro, Meninos Rei e Ateliê Mão de Mãe, que vêm ganhando destaque nas principais semanas de moda do país ao priorizar um casting, ou seja, um grupo de modelos selecionados para um trabalho específico, composto majoritariamente por profissionais baianos. Além disso, as marcas mantêm a produção de suas coleções em Salvador, contribuindo para a valorização da mão de obra local e para o fortalecimento da economia da cidade.
Dessa forma, percebe-se a existência de uma juventude criativa que sonha em alcançar reconhecimento sem precisar deixar sua terra natal. Enquanto Salvador continua formando profissionais de excelência, o grande desafio é oferecer, dentro da própria capital baiana, as condições necessárias para que esses talentos prosperem. A moda e a publicidade produzidas na Bahia existem, são relevantes e carregam enorme potencial. Falta apenas um olhar mais atento de quem ainda insiste em buscar fora aquilo que a Bahia sempre teve de sobra: talento, autenticidade e potência criativa.





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