Parracho: a sociedade precisa de um jornalismo de qualidade

21/11/2019

Um dos jornalistas mais admirados da tv paranaense, Fernando Parracho começou a sua carreira no Rio Grande do Sul, e de lá pra cá vem reunindo diversos prêmios ao longo do exercício da profissão. Dentre eles, destaca-se o Prêmio Internacional Rei de Espanha, na categoria ibero americano, pela sua participação na série de reportagens sobre as fronteiras brasileiras exibida pela Rede Globo. 

 

Parracho está desde 2003 trabalhando na RPC - afiliada da Rede Globo - mas já atuou como repórter nacional nas cidades de Maringá, Foz do Iguaçu e Curitiba, e também como repórter na TV Globo do Rio de Janeiro, produtor e repórter no programa Globo Ecologia.

 

Atual âncora do jornal Meio Dia Paraná, Fernando Parracho é a personalidade do jornalismo da série de entrevista "Fala, Jornalista!". Publicada quinzenalmente no portal da Agência Mediação, a série conta com grandes nomes do jornalismo paranaense como Amanda Audi, Daiane Andrade e Wilson Soler. Confira abaixo a entrevista. 

 

 

 

Por que o jornalismo?

Porque era a única profissão que eu poderia fazer. Decidi entrar para a universidade bem tarde, com 27 anos de idade. Mas consegui realizar meu objetivo profissional.

 

Antes e depois do jornalismo: como a profissão te transformou?

A visão de mundo. Quando a gente quer ser jornalista já traz uma vontade de ver as coisas de forma justa, de ver uma melhoria das coisas, da sociedade e das pessoas. Porque ao ser jornalista você passa a ver as coisas de vários ângulos e a se abrir para as várias opiniões divergentes. Então, acredito que essa seja a principal mudança.

 

Qual o conselho você daria ao Fernando estudante de jornalismo?

Caprichar na formação, lutar para começar na profissão, que é uma coisa sempre bastante difícil para quase todo mundo. Não se desviar nunca dos seus valores e objetivos. E ser fiel a você mesmo, sua crença e a sua intuição.

 

Qual o desafio das faculdades de jornalismo hoje?

Está tudo tão mudado, a tecnologia mexeu muito com a nossa profissão e a situação econômica do país também mexeu com as possibilidades de emprego. E hoje ser jornalista mais do que tudo é um ato de quase resistência, de guerrilha. Então, acredito que o grande desafio das universidades é continuar sendo relevante e atraindo jovens. Porque a formação acadêmica na minha opinião é fundamental.

 

O melhor da profissão:

É quando você vê um trabalho seu surtindo algum efeito, seja mudando alguma coisa ou tirando alguém de uma condição difícil e trazendo essa pessoa para dentro da sociedade, no que diz respeito a seus direitos e a sua respeitabilidade.

 

O pior da profissão:

O pior é enfrentar as dificuldades que se colocam no caminho do jornalista. Seja no acesso à informação ou na censura, até as ameaças. Porque o Brasil é um dos países onde se é mais perigoso ser jornalista. Então, isso que eu acho ser o pior.

 

 "E isso é fundamental do jornalismo.

 Trazer a verdade à tona, seja ela qual

 for e prejudique a quem prejudicar"   

 

Quem são os teus ídolos no jornalismo?

São muitos, mas eu vou citar um profissional pelo qual eu tenho muito respeito, admiração e que já tive a oportunidade de conhecer ele pessoalmente, que é o José Hamilton Ribeiro.

 

Qual a melhor reportagem?

Eu já fiz algumas coisas importantes na minha carreira, mas para citar uma e dentro da nossa realidade, a série “Diários Secretos” da Gazeta do Povo e da RPC. Eu tive o privilégio de fazer a primeira matéria que abriu a série, e eu acho um trabalho muito importante, que ganhou o Prêmio Esso pelo jornal A Gazeta do Povo. E essa série surtiu efeito promovendo uma mudança muito grande na Assembleia Legislativa e na sociedade.

 

O que não pode faltar na mochila de um jornalista?

Caneta, papel, boas perguntas, garrafinha de água e dependendo do lugar um protetor solar. Também conhecer realmente o assunto, obtendo o máximo de informação sobre o que ele vai cobrir.

 

O melhor amigo do jornalista é…

A fonte ou o professor. Porque o professor as vezes ele fica amigo para o resto da vida.

 

O jornalismo vai acabar?

Nunca. Acho que acaba o mundo, acaba o planeta, mas o jornalista continua lá trabalhando e existindo.

 

Por que o jornalismo importa?

Porque ele revela a verdade. E isso é uma coisa fundamental do jornalismo. Trazer a verdade à tona, seja ela qual for e prejudique a quem prejudicar. Porque é algo fundamental para a nossa vida em sociedade, para a nossa democracia, ter um jornalismo bem feito, livre e sério.

 

Lugar de jornalista é…

Na rua, atrás da notícia. É claro que muitos trabalhos da gente se fazem dentro da redação, mas me refiro ao repórter. Ele tem que estar na rua, atrás das pessoas, das notícias.

 

 "Vá atrás das coisas que você não gosta

também, porque ali tem muita

coisa para ser desvendada e reportada" 

 

Se não fosse jornalista seria…

Pela minha história de vida provavelmente eu seria comerciante ou trabalharia na área comercial de alguma empresa. Seria talvez um empreendedor, uma coisa que já fiz quando estudante para ganhar a vida e que me deu uma grande experiência humana. Mas também talvez advogado, que é uma profissão muito importante e me passou pela cabeça um dia estudar Direito, mas até agora não consegui.

 

Um recado para os futuros jornalistas:

Estudem, estudem e estudem. Leiam muito, procurem saber de tudo que está acontecendo a sua volta. Tentem entender um pouco como funciona o mundo, as relações políticas e sociais. Se interessem por tudo aquilo que vocês não gostam. Não foque só naquilo que você gosta ou nos assuntos que te atraem. Vá atrás das coisas que você não gosta também, porque ali tem muita coisa para ser desvendada, mostrada e reportada.

 

Foto: Amanda Zanluca

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