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Virginia na Copa e a desvalorização do diploma jornalístico

Foto: Reprodução das Redes Sociais
Foto: Reprodução das Redes Sociais

A empresária e influenciadora digital, confirmou através de suas redes sociais, sua participação como repórter especial durante a cobertura da Copa do Mundo de 2026, no Domingão com Huck — programa da TV Globo, o maior conglomerado de mídia e comunicação do Brasil. O convite teria surgido ainda durante o relacionamento amoroso entre Virginia Fonseca e o jogador de futebol Vinicius Jr., que chegou ao fim em 15 de maio de 2026 e segundo a Folha de São Paulo, a empresária cogitou declinar o convite após rompimento, no entanto, foi convencida por Luciano Huck a continuar, visando render bons frutos profissionais para Virginia, além de trazer repercussão ao programa durante o Mundial.


O anúncio reacende questões relativas ao sucateamento da profissão e da cobertura jornalística de grandes eventos, incitando inclusive críticas por parte da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). A nota oficial divulgada pela entidade aponta que essa escolha fomenta a desvalorização do trabalho jornalístico e a perda de qualidade da informação veiculada ao público, reiterando que a lógica da audiência instantânea e do engajamento algorítmico não deve sobrepor o compromisso com uma cobertura séria, plural e qualificada. Em uma sociedade regida pelo algoritmo, as pautas que geram audiência têm preferência, mudando assim as lógicas da produção e distribuição, reduzindo a perspectiva de valor-notícia à chamada “expectativa de audiência”


A crise do jornalismo modificou toda a estrutura de atuação dos veículos tradicionais, os obrigando a assumir um papel multiplataforma por fatores econômicos e tecnológicos. Desta forma, a briga pela audiência ganha novos personagens: veículos web, não-jornalísticos e agentes emergentes das plataformas digitais. Estes se tornam também concorrentes, alterando o fluxo informacional, tradicionalmente dominado pelos veículos jornalísticos, o que interfere no processo de seleção dos acontecimentos e seus comunicadores.


Com base nas declarações do apresentador do Domingão com Huck, subentende-se que a relação prévia do nome de Virgínia Fonseca com o de um dos grandes nomes da Seleção Brasileira, Vini Jr., foi um dos critérios para sua escolha. No entanto, é inegável a influência da blogueira nos meios digitais, com seus mais de 50 milhões de seguidores, foi capaz de bater recorde de audiência da TV Senado com mais de 1 milhão de visualizações na transmissão de seu depoimento durante a CPI das Bets, o que corrobora a relevância do engajamento acima do profissionalismo. Ainda que seja concedido um papel exclusivamente de entretenimento a influenciadora, a figura do repórter deveria ser ocupada por jornalistas que se dedicam por anos a profissão e aguardam ansiosamente por essa oportunidade quadrienal e única na carreira de muitos.


Esse fato se sobrepõe a figura de Virgínia e Luciano Huck, sendo mais uma recordação de um mercado que, cada vez mais, valoriza engajamento acima de currículo, visto que essa não é a primeira vez em que a emissora promove esse tipo de programação. O programa Central da Copa, busca desde o torneio de 2018 se fomentar dessa fonte de engajamento ao trazer a DJ Bárbara Labres, e na edição mais recente a cantora Jojo Todynho para seu quadro de apresentadores fixos. O pretexto por trás dessas escolhas é tornar os conteúdos mais plurais e acessíveis ao grande público — que em sua maioria não é fã de futebol e somente se interessa pelo esporte nesse contexto — visto que em sua atuação multimídia o grupo Globo dispõe de canais específicos, como por exemplo o Sport TV, onde o esporte é tratado de forma mais técnica.


Essa escusa, no entanto, não se sustenta diante do cenário atual em que diariamente se formam profissionais diversos em personalidade e abordagem, sendo totalmente possível apresentar um programa diverso e interessante a grande massa, sem desvalorizar o esforço daqueles que se dedicam a essa carreira. Além disso, essa escolha soa elitista ao disponibilizar o conteúdo considerado especializado apenas àqueles dispostos a pagar por ele, quando em se tratando de um evento mundial, todos deveriam ter acesso à uma cobertura séria e qualificada. O que reforça a importância da valorização da figura do jornalista e da qualidade da informação, a partir da exigência do diploma de Jornalismo como acesso à profissão.


Autor: Gabriela Jung - Estágiaria de Jornalismo


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