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Diversidade no Judiciário tem início na Universidade

15 de set.
2 min de leitura

Debate sobre a escolha do novo Ministro do Supremo Tribunal Federal pelo Presidente Lula reabre discussão sobre a pauta da diversidade racial nas instâncias julgadoras.


Autora: Aline Hack


Legenda: Composição do Supremo Tribunal Federal em 2024 – 11 ministros e o PGR, Paulo Gonet / Crédito: Divulgação STF – Sessão Solene Posse Ministro Flávio Dino (22/02/2024)
Legenda: Composição do Supremo Tribunal Federal em 2024 – 11 ministros e o PGR, Paulo Gonet / Crédito: Divulgação STF – Sessão Solene Posse Ministro Flávio Dino (22/02/2024)

O anúncio da aposentadoria do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso, surge uma vaga na corte para ser indicada pelo Presidente Lula. O STF até hoje teve apenas três ministras: Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber. A Corte nunca teve uma ministra negra em sua composição.


De acordo com o Relatório“Justiça em Números” do Conselho Nacional de Justiça (2025), as mulheres representam cerca de 40% da magistratura brasileira. No entanto, sua participação diminui à medida que avançam na carreira: elas correspondem a aproximadamente 27,9% dos cargos de desembargadores e apenas 22,2% dos postos nos tribunais superiores. Além disso, a magistratura brasileira segue sendo majoritariamente composta por pessoas brancas. A sub-representação, as pressões profissionais e familiares, bem como a discriminação de gênero e raça, são apontadas como problemas históricos que dificultam a progressão profissional das mulheres no Judiciário

 

Mas o alcance desses cargos por mulheres negras vai além do próprio acesso à magistratura; sua barreira inicia no ingresso às faculdades de direito. Muito embora o cargo de Ministro do STF não exija a formação em direito, a Constituição Federal define como requisito o “notável saber jurídico”, o que muitas vezes é adquirido no ensino superior.

 

A advogada Núbia Bragança, que teve seu nome indicado na lista sêxtupla da OAB em 2023 para o cargo de Ministra do STJ, relata “As mulheres negras enfrentam uma dupla barreira nesse cenário, que é o racismo estrutural e o machismo institucional. Mesmo quando as mulheres negras apresentam trajetórias sólidas, excelência acadêmica e atuação de destaque, não são vistas”, destacou.


A indicação de uma mulher negra ao posto de Ministra do STF demonstra trazer benefícios. Núbia aponta que “decisões como direitos reprodutivos, igualdade racial, violência de gênero e políticas afirmativas são profundamente influenciadas pela composição da corte e pelas vivências que cada ministra ou ministro traz consigo para os julgamentos”, finalizou.

 

Legenda: Mural na Lapa, Rio de Janeiro. Artista: Airá, o Crespo. / Crédito: Aline Hack
Legenda: Mural na Lapa, Rio de Janeiro. Artista: Airá, o Crespo. / Crédito: Aline Hack

Tainah Pereira, coordenadora do Movimento Mulheres Negras Decidem, também relata a importância da origem: “o que se observa ao longo do tempo é que os ministros têm origens muito semelhantes, não só origens de classe e em relação a seu pertencimento de raça, mas também em relação à formação”.

 

Legenda: Movimentos pressionam pela indicação de uma Ministra Negra no RJ / Crédito: Tainah Pereira (MND)
Legenda: Movimentos pressionam pela indicação de uma Ministra Negra no RJ / Crédito: Tainah Pereira (MND)

Ou seja, o caminho para alcançar um posto como ministro do STF é longo, ainda mais quando se é mulher e negra. Enquanto o sistema de cotas favorece o ingresso das pessoas negras às faculdades de direito e, consequentemente, ao Sistema Judiciário, há muito a se refletir na nomeação de quem serão os próximos Ministros até lá.

 


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