Não atice o formigueiro


Sempre que eu ouvia a palavra “protesto”, automaticamente duas coisas me vinham à mente: A primeira, aquela imagem icônica dos livros de história, em que pessoas seguram uma faixa escrito “Diretas já! ”. A segunda me remetia aos meus professores, e às paralisações que aconteciam todos os anos.

A lembrança dos professores “paralisados”, se tornou a imagem de pessoas correndo, ensanguentadas, com marcas e roxos pelo corpo todo. Homens fardados, com escudos e armas. Fumaça. Fogo. Sangue. Choro. Gritos de indignação. Era 29 de abril. Vi tudo isso pela televisão, e não entendi nada. Sempre pensei que meus professores eram loucos.

E aí você se vê em meio a uma situação absurda, que te faz questionar seu local de fala. Querem cortar. Contingenciar. Chame do que for, é ruim. Afeta pessoas. Muitas. Afinal de contas, o que querem fazer com a nossa educação? E como é que se luta para defendê-la?

Quando dei por mim, já estava em meio à multidão. A sensação de fazer parte de um todo é algo muito sutil. Você está lá, mas não sabe bem que diferença faz. É difícil ter noção de quantidade. Os gritos ecoavam e, em questão de poucos segundos, eu entoava as palavras ritmadas que havia acabado de aprender.

As formiguinhas seguiam pelas ruas da cidade, desafiando a quem “atiçou o formigueiro”. Elas questionavam o dinheiro que sobra para uns, e é tirado de outros. As formiguinhas chamavam o povo das varandas, para a rua. As formiguinhas fizeram um barulho e tanto. Eu era uma das formiguinhas, mas, em momento algum, me senti pequena. Pela primeira vez, eu entendi os loucos dos meus professores.

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