É das pautas mais difíceis que vêm os maiores aprendizados, afirma Letícia Paris

Leticia Paris é um rosto conhecido da TV paranaense. Apresentadora do boletim "G1 em um minuto" desde 2018, ela se destaca pelo carisma e linguagem simples ao noticiar os destaques do portal de notícias na RPC. Natural de Mariluz, região noroeste do Paraná, veio para a capital para se formar em jornalismo pela PUC-PR, aos 21 anos. Aqui ela permaneceu por mais quatro anos se dedicando à TV e ao rádio em veículos como a Rede Evangelizar de Televisão, e Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (Aerp). Mas foi no interior do estado que ela se destacou como produtora, na RPC Paranavaí, e foi convidada a integrar a equipe G1 de Curitiba. Letícia é a convidada série de entrevistas quinzenal “Fala, jornalista!”, e ao portal Mediação conta sua visão da profissão e deixa conselhos aos estudantes de jornalismo do Centro Uninter. Confira.

Crédito: arquivo pessoal

Por que o jornalismo? Eu acredito que no jornalismo, assim como na maior parte das muitas carreiras profissionais, é preciso ter vocação. No meu caso, nenhuma outra profissão me permitiria realizar tantas das coisas que eu mais amo fazer na vida. Sempre fui apaixonada pela escrita, por rádio e televisão, por conversar e contar histórias. Então, quando eu me pergunto “por que o jornalismo?”, a explicação é o fato de ser a nossa missão (a de contar histórias para as pessoas). Na verdade, é porque “só podia ser o jornalismo”. Antes e depois do jornalismo: como a profissão te transformou? O dia a dia nas redações, na rua, nas entrevistas, me trouxeram experiência e visão de mundo. Sou muito grata ao jornalismo porque entre uma reportagem e outra, você conhece realidades que nunca conheceria se não estivesse ali. O mais bacana é saber que cada pauta que você recebe, é uma nova oportunidade de aprender. Como repórter, sou eu a pessoa que recebe a missão de ir até o local, conversar com as pessoas, levantar as informações e, depois de tudo, contar o que aconteceu para quem está assistindo (ou lendo, ou ouvindo). Com isso, a gente aprende a cada matéria. Qual o conselho você daria a Letícia estudante de jornalismo? Descubra sua forma de fazer comunicação. O seu jeito de contar as histórias para as pessoas que te acompanham. Ah, e saiba que das pautas mais aparentemente difíceis é que vão vir seus maiores aprendizados.

"Entre uma reportagem e outra,

você conhece realidades que

nunca conheceria se não estivesse ali"

Qual o desafio das faculdades de jornalismo hoje? Percebo que os estudantes estão cada vez mais ligados e próximos do mercado. Então, acho que o desafio das faculdades hoje é, em geral, de acompanhar as evoluções tecnológicas, fornecer a estrutura para que os estudantes possam desenvolver materiais interessantes, sem perder o conteúdo teórico, que é muito importante para dar base aos futuros jornalistas. O melhor da profissão: Os aprendizados que a gente pode ter com cada entrevistado, as aventuras que as reportagens podem nos trazer, e como tudo isso muda a nossa visão de mundo. O pior da profissão: Em algumas épocas, como a que estamos vivendo agora, a necessidade de defender que haja mais respeito pelo jornalismo e pela sua importância na sociedade. Quem são os teus ídolos no jornalismo? Sou fã da forma com que o Tadeu Schmidt conduz as histórias. Sempre acompanho e busco identificação com o jeito que ele tem de tentar sempre brincar com textos soltos, quando o assunto permite, mas também de manter a credibilidade ao tratar de outros tema, mais sérios.

"Das pautas mais aparentemente difíceis

é que vão vir seus maiores aprendizados"

Qual a melhor reportagem? A melhor reportagem é aquela em que você se abre para vivenciar, entende, é aquela reportagem que te ensina como profissional e como ser humano. Na minha carreira, minha reportagem preferida foi uma das primeiras. Eu escrevia para uma revista e, em uma das edições, contei a história de um pai que perdeu os bens que tinha para ir atrás de descobrir a cura para o filho, que lutava contra uma doença degenerativa. Ele, milagrosamente, encontrou uma enzima que paralisou os efeitos da doença, e salvou o filho dele. Fui até os dois e, conversando com eles, me emocionei. Assim, entendendo a emoção deles, como foi passar por tudo aquilo, pude traduzir no texto, para que os leitores também se emocionassem. A reportagem venceu o prêmio nacional da CNBB daquele ano. O que não pode faltar na mochila de um jornalista? Um celular com internet, para registrar o que se vê e estar por dentro do que acontece além do nosso redor, e uma garrafa de água, para não perder a disposição. O melhor amigo do jornalista é… A curiosidade. O jornalismo vai acabar? De jeito nenhum. Acho que a realidade que a gente vive hoje em dia nos mostra claramente que os meios se modificam, os profissionais precisam se adaptar com novas plataformas e rotinas, mas o jornalismo, em si, é cada vez mais necessário.

"Os profissionais precisam se adaptar

com novas plataformas e rotinas"

Por que o jornalismo importa? Porque é ele que pode tornar público coisas que parcelas da sociedade podem querer esconder, é ele que dá espaço para histórias que valem a pena ser contadas, mas que por diversos motivos estavam escondidas. Importa porque é ele quem pode ajudar as pessoas a repensar, a olhar para o lado. Lugar de jornalista é… Fora do pedestal. Lugar de jornalista é de pé no chão, indo onde as coisas estão acontecendo, junto com as pessoas dos mais diferentes níveis sociais. Se não fosse jornalista seria… Musicista ou jogadora de futsal. Mas eu tenho a sorte de que, muitas vezes, o jornalismo me permite estar na música e no esporte, trabalhando. Um recado para os futuros jornalistas: Se dediquem. Até mesmo em trabalhos que parecem não ser valorizados, alguma coisa boa vocês vão tirar dali. Escute os outros, mas se conheça. Encontre a sua forma de contar as histórias (seja no texto, no rádio, no vídeo, na sua forma de assessorar, na fotografia…) e saiba que várias portas vão ser fechadas. A sua forma de trabalho provavelmente vai ser motivo para fecharem portas, mas é com ela que você vai abrir muitas outras.

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Este site foi criado em 2017 pelo curso de Bacharelado em Jornalismo do Centro Universitário Internacional.

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