O jornalismo me ensinou a ser mais forte, diz Marcus Reis

"É o jornalismo que muda muitas realidades. Quantos casos ganharam justiça depois de tamanha cobertura da imprensa? Quantos casos foram revelados e vidas mudadas após denúncias de jornalistas?", ressalta o repórter Marcus Reis ao ser questionado sobre a importância do jornalismo.

Dono de um prêmio Esso, um dos reconhecimentos mais importantes do cenário jornalístico brasileiro, Reis, ainda estudante, já dava dicas do futuro brilhante na profissão, ao ter nada menos que dois documentários premiados no Gramado Cine Vídeo.

Com um jeito simples de contar histórias, o jornalista ganhou espaço e destaque, e hoje é um dos principais nomes quando o assunto é grandes reportagens. O jovem gaúcho de Porto Alegre é o segundo entrevistado da série "Fala, jornalista!", publicada quinzenalmente no portal Mediação, sempre com a opinião, dicas e "desabafos" de grandes nomes do jornalismo.

Repórter da Record TV, nos programas Câmera Record e Domingo Espetacular, já percorreu o Brasil de ponta a ponta atrás das melhores histórias, além de visitar mais de 17 países em todos continentes. Na entrevista exclusiva à Agencia Mediação, ele conta um pouco da sua carreira e deixa recado para os futuros profissionais

"O jornalismo me ensinou a me impor. A ser mais forte. A ser respeitado. Aprendi a ser corajoso também na marra. A não ter vergonha e a correr atrás de tudo o que eu acredito.

Por que o jornalismo?

Sei que vai parecer clichê mas escolhi o jornalismo pois vi na profissão uma forma de tentar mudar a vida de outras pessoas. De buscar justiça por elas, de dar voz a quem nunca foi ouvido, de ser os olhos de uma sociedade. Nem sempre a gente consegue mas o jornalismo te dá muitas oportunidades para que isso aconteça.

Antes e depois do jornalismo: como a profissão te transformou?

Por incrível que pareça sempre fui muito tímido. Eu queria falar pelos outros mas mal falava por mim. O jornalismo me ensinou a me impor. A ser mais forte. A ser respeitado. Aprendi a ser corajoso também na marra. A não ter vergonha e a correr atrás de tudo o que eu acredito. Hoje me vejo mais aberto a conhecer gente, culturas, me sinto mais simples, mais humano. E tenho certeza que foi uma transformação que o jornalismo me deu.

"Sofri muito sem saber como seria a minha carreira, o meu futuro profissional. E hoje eu vejo que sempre me dediquei bastante pra ser um bom jornalista

Qual o conselho você daria ao Marcus estudante de jornalismo?

O que eu diria pra mim quando estudante? Diria que eu estou no caminho certo. Sofri muito sem saber como seria a minha carreira, o meu futuro profissional. E hoje eu vejo que sempre me dediquei bastante pra ser um bom jornalista. Sempre li muito, sempre escrevi, sempre tomei iniciativa de produzir meus documentários. E isso tudo me formou o que eu sou hoje. Diria pra eu ficar tranquilo que a carreira é difícil mas que vai me dar muito prazer.

Qual o desafio das faculdades de jornalismo hoje?

O maior desafio das faculdades é aproximar o estudante da realidade das redações. Aprendi muito em sala de aula, mas aprendi muito mais na lida do dia a dia. Os bastidores do jornalismo me ensinaram muita coisa diferente do que ouvi durante o curso. Acredito que quanto mais os estudantes respirarem as redações desde cedo, e quanto mais terem o contato real com o que se vive nas ruas, melhores profissionais se formarão.

"Aprendi muito em sala de aula, mas aprendi muito mais na lida do dia a dia. Os bastidores do jornalismo me ensinaram muita coisa diferente do que ouvi durante o curso

O melhor da profissão:

O melhor da profissão é o contato com realidades diferentes da nossa. Isso nos faz crescer como ser humano.

O pior da profissão:

O pior é ver a nossa profissão não tão valorizada financeiramente quando deveria.

Quem são os teus ídolos no jornalismo?

Não tenho ídolos. Toda vez que vejo um bom repórter, um bom texto, uma grande reportagem, procuro tirar daquilo experiências pra mim. Acredito que ao invés de um ídolo podemos ter muitas inspirações e eu me inspiro em muitos jornalistas. A cada dia descubro um profissional que me serve de referência.

Qual a melhor reportagem?

Tenho um carinho por muitas reportagens e coberturas que fiz. Lembro da minha primeira grande reportagem investigativa, e que me levou a concorrer ao prêmio Esso, quando denunciei políticos que desviavam água de uma pequena cidade no sertão baiano para beneficiar quem votou no prefeito. Lembro com carinho da minha cobertura na passagem do furacão Irma, nos Estados Unidos. Lembro com carinho de cada viagem que fiz para contar histórias de culturas completamente diferentes da minha.

O que não pode faltar na mochila de um jornalista?

O que não pode faltar na mochila de um repórter? Pergunta difícil! Depende de cada um. Na minha não pode faltar caneta, meus bloquinhos e minha GoPro. Ah, e não pode faltar livro - mesmo sabendo que não terei tempo de ler nenhuma página. É vício!

O melhor amigo do jornalista é…

O "melhor amigo do jornalista" é a fonte que temos que tratar com carinho e respeito. É a fonte que muitas vezes se arrisca pra nos dar a melhor informação.

O jornalismo vai acabar?

O jornalismo nunca vai acabar. Ainda mais em tempos de fake news, quando o jornalismo se mostra ainda mais importante e necessário.

Por que o jornalismo importa?

É o jornalismo que muda muitas realidades. Quantos casos ganharam justiça depois de tamanha cobertura da imprensa? Quantos casos foram revelados e vidas mudadas após denúncias de jornalistas? Não somos o quarto poder a toa. O jornalista importa porque q faz a diferença na sociedade.

Lugar de jornalista é…

Lugar de jornalista é na rua, ouvindo gente, contando histórias e buscando a verdade.

Se não fosse jornalista seria…

Se não fosse jornalista seria professor de letras - a minha grande paixão!

Um recado para os futuros jornalistas:

Acreditem na profissão, valorizem o que a gente faz e amem essa carreira. Se não amarem, desistam enquanto há tempo. Só sendo completamente apaixonado pra atravessar esse furacão jornalístico diário que passa pela nossa vida.

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