Quando a mulher é assassinada por ser mulher


Março é o mês marcado pelo dia da mulher. No entanto nem tudo são flores. Diariamente muitas mulheres sofrem violência. Muito mais do que as estatísticas e os noticiários conseguem anunciar. E quem acha que é só na TV e em um local distante, saiba que os casos não estão distantes da realidade de famílias como a sua ou de seus vizinhos.

É evidente que a brutalidade contra as mulheres é um fenômeno que persiste, pois, diariamente vemos nos jornais casos como o de Izabela Miranda de Oliveira, uma garota de 19 anos que teve o corpo queimado pelo namorado. Os relatos informam que ele a viu na cama com o cunhado, porém, segundo testemunhas, ela foi abusada pelo indivíduo. Com 80% do corpo queimado, Izabel não resistiu aos ferimentos e morreu.

Outro caso é o de Natasha Rodrigues, uma menina de 14 anos que foi morta simplesmente por não aceitar um pedido de namoro. Repito em caixa alta: APENAS POR NÃO ACEITAR UM PEDIDO DE NAMORO. Como se a mulher fosse obrigada a ter um relacionamento apenas para satisfazer a vontade masculina.

O que acentua o descaso de autoridades, é que a jovem já vinha sendo ameaçada por mensagens no celular. Nelas, o assassino alertava que a mataria caso não pudesse tê-la para sempre. O caso tinha sido denunciado, mas nada foi feito para evitar a morte.

No entanto, muitas das vezes o caso nem chega a ser denunciado pelo simples fato de as mulheres acharem que é apenas uma brincadeira. Em outras situações, é o medo que faz calar o grito diante da incerteza do amanhã. É entre uma agressão precedida de um silêncio da vítima e de quem está ao seu redor que o padrão do crime se estabelece. O crime é quase sempre premeditado, sendo considerado feminicídio. Mas aí vem a pergunta: o que é feminicídio?

É considerado feminicídio o assassinato de mulheres cometidos em razão do gênero. Ou seja, quando a vítima é morta por apenas ser mulher. No brasil, a lei do feminicídio, sancionada em 2015 estabelece uma pena maior quando o homicídio é cometido contra a mulher. O que mais preocupa é o crime cometido pelo parceiro, precedido por outras formas de violência, que poderia ser evitado, tendo em vista que os atos poderiam ser fatais.

Só nesse ano já foram registrados 107 casos de feminicídio no Brasil, sendo que a maioria foram cometidos pelo parceiro. Um estudo realizado pelo instituto de pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima que, entre 2009 e 2011, o país registrou 16,9 mil feminicídios, especialmente em casos de agressão cometidos por parceiros íntimos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2013 indicam que o Brasil é o quinto mais violento para as mulheres em um ranking de 123 países. No ano passado, 53 assassinatos de mulheres foram classificados como feminicídio pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). O número é mais que o dobro do que foi registrado em 2017, com 24 crimes. Segundo o ministério, houve mais de sete mil tentativas de feminicídio em 2018, ou seja, mais que o dobro do que foi registrado um ano antes.

Mesmo estando no século XXI ainda é possível ouvir frases do tipo: “o que você fez para ele agir dessa maneira?” ou “isso aconteceu porque ela deve ter se insinuado para ele! ” ou ainda “também, olha o comprimento daquela saia mostrando quase tudo, é claro que o homem não ia se controlar!”.

A maneira como a mulher é retratada historicamente ajuda a compreender por que a violência contra a mulher ainda persiste. A violência está em todos os setores do nosso país, os dados sobre violência são alarmantes.

No Brasil morrem mais pessoas por homicídios do que em países que estão em guerra, como a Síria. E a violência contra as mulheres é só mais um dado estatístico catastrófico entre todos os outros. O Brasil é o país onde mais se morrem por assassinato. Enfim, é preciso dar um basta na violência de modo geral.

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