Quem são os verdadeiros "vilões" no aumento da passagem de ônibus


Preço alto da passagem reduz usuários pagantes (Credito: Ivone Souza)

O aumento no valor das passagens do transporte coletivo em grandes cidades brasileiras é tema recorrente em quase todo início de ano. Em Curitiba, já há rumores de um possível acréscimo no valor atual de R$ 4,25. Um dos argumentos mais utilizados para o reajuste, além da inflação, são os prejuízos acumulados com os chamados "fura-catracas".

O vereador Rogério Campos, que também é funcionário do transporte coletivo na capital, acredita que os furas-catracas influenciam no aumento da tarifa. “As autoridades que compõem o poder executivo municipal de uma maneira não justa acaba incluindo esse prejuízo às pessoas que pagam a tarifa de maneira certa. No meu ponto de vista, isso é injusto, porque quem tem ferramentas para resolver esse problema são eles e não o usurário e nem os trabalhadores do transporte coletivo", diz.

Segundo dados publicados pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Curitiba (Setransp), o prejuízo causado pelos que não pagam passagem e utilizam o transporte chega a R$ 6 milhões por ano. Ainda que o valor pareça excessivamente alto, o fato é que considerando o valor total do faturamento em 2018, o prejuízo não ultrapassa 1% da receita das empresas que operam no sistema. Além disso, a Urbs, empresa de capital misto que gerencia o transporte coletivo em Curitiba, arrecadou aproximadamente R$ 780 milhões, em 2017.

Contrariando também o argumento de que o problema seriam os fura-catracas, existem outros aspectos que tem incidência maior sobre a planilha de custos para as empresas. A folha de pagamento de funcionários, por exemplo, equivale sozinha a 50% dos custos. Além disso, 14,33% dos usuários são isentos.

O ex-membro da Comissão de Análise da Tarifa do Transporte de Curitiba André Machado garante que não são os fura-catracas os vilões da história. “Esse passageiro não pagante, na grande maioria das vezes, não tem condições de pagar uma tarifa de R$ 4,25. Se ele não furar a catraca, certamente não será um passageiro", diz. Continuando, Machado entende que a solução seria outra. "O que temos que fazer para reduzir a tarifa é voltar a atrair as pessoas ao transporte coletivo, com tarifas mais baixas e mais conforto. Isso resolveria indiretamente o problema dos fura-catracas. Não adianta colocar polícia e aprovar leis cada vez mais duras contra quem pula a catraca. A solução só ocorrerá se houver eficiência. Ou seja, fazer mais, gastando menos".

Na mesma linha, Humberto Pacheco, um dos diretores do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba (Sindimoc), acredita que a implantação do passe-livre seria uma forma de resolver a situação. “Se isso acontecesse, não teria motivo para pularem a catraca”, diz.

Enquanto o problema não se resolve, os usuários é que estão preocupados com o futuro. Janaina Vidal, que trabalha no centro e utiliza o transporte público diariamente, sugere uma saída para evitar o aumento. “Tem que dar mais liberdade aos aplicativos para não ter só carros particulares como também vans e ônibus”, comenta, referindo-se à abertura de concorrência.

Redução da tarifa

Araucária, na região metropolitana de Curitiba, conseguiu baixar o preço da passagem de R$4,25 para R$2,90. Além disso, no domingo o transporte é gratuito com a apresentação do cartão transporte. A cidade também implantou o passe-livre estudantil e mantém a integração com a capital, contrariando a realidade de outras cidades da região. As mudanças ocorreram após a adoção e medidas para redução de custos, como desativação de linhas subutilizadas.

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