Por um futebol sem machismo

(Foto: Patrícia Zeni)

Mesmo com o preconceito, o futebol feminino cresce a cada ano no mundo. Até a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) estima que 45 milhões de meninas e mulheres estarão praticando o esporte, de maneira profissional ou somente por lazer.

Atualmente, a população feminina no mundo é de quase quatro bilhões de pessoas. Isso significa que 11,25 % das mulheres praticarão futebol. Número pequeno se comparado aos homens, que desde pequenos ganham uma bola, são colocados em escolinhas para treinar e tem uma disponibilidade de clubes muito maior.

No Brasil, o Ministério do Esporte fez uma pesquisa em 2016 que mostrou que 64% da população masculina pratica futebol, contra 16% da feminina. Isso é reflexo de uma sociedade machista, que proibiu na década de 1940 que mulheres jogassem futebol.

O artigo 54 do decreto-lei nº 3.199, de 14 de abril de 1945, deixava claro: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Natureza no caso, é a maternidade. Esse decreto só foi derrubado em 1979. Claro que elas não deixaram de jogar, mas isso tornou o futebol feminino invisível no país, tanto que até hoje a Seleção não venceu as principais competições do mundo, já que não pode competir com a evolução dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, por exemplo, que estão um passo à frente do Brasil na luta por direitos iguais.

O Brasil não tem uma liga nacional nem categorias de base. Os clubes de futebol masculino não investem, com a justificativa que não dá retorno financeiro. Como não dá retorno financeiro. Basta ver que no Brasileiro de 2017 o Iranduba, time de Manaus, colocou 25 mil torcedores na Arena da Amazônia (muito mais do que vários times de homens).

Em 2016, foi criada a Liga Feminina Sub-20, uma competição sem ligação com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), organizada pelo Ministério dos Esportes. Vários times se inscreveram e a organização foi por região. Na fase final se enfrentaram os melhores de cada região do país e o Iranduba – aquele mesmo do público recorde no Brasileirão – sediou a final com 17 mil pessoas presentes, o Centro Olímpico foi campeão.

Depois disso, a Liga não foi mais realizada. Em 2017, mudaram o formato do Campeonato Brasileiro, criaram duas divisões. Isso poderia ser uma coisa positiva, e no começo foi, mais clubes teriam oportunidades de montar um time feminino e colocar na competição. O que deu errado foram clubes da Série A do campeonato masculino conseguindo vaga na primeira divisão, como o Grêmio, e o América Mineiro, primeiro time brasileiro a profissionalizar as jogadoras, ficou fora. Como resultado, o Grêmio foi rebaixado.

A CBF, logo após as Olimpíadas de 2016, trocou o comando técnico da Seleção Feminina colocando pela primeira vez uma mulher, Emily Lima. Porém, após resultados negativos em amistosos, tiraram-na e recolocaram Vadão, o treinador que não conseguiu passar das quartas de final na Copa do Mundo em 2015 e não classificou a Seleção para a final das Olimpíadas, em casa.

O que falta é colocar pessoas que se preocupam com a modalidade e com as mulheres – colocar mulheres – para comandar a seleção e as competições, ouvir quem entende e sempre continuar lutando para que a mulher seja respeitada tanto com uma bola no pé quanto em qualquer outra coisa.

*Artigo originalmente publicado na edição do Jornal Marco Zero n.º 55".

Professor-orientador: Mauri König

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