Teve beijaço sim

Poder ou não beijar dentro de um estabelecimento privado virou boletim de ocorrência para um casal gay

Polícia a espreita durante manifestação contra LGBTfobia (Foto: Karolyne Santana)

Diego Nunes, que tem 27 anos e é estudante da UFPR estava bebendo uma cerveja no centro de Curitiba, no dia 5 de junho, com um rapaz. Eles estavam conversando e no momento em que foram se beijar, José Luciano Matias, dono do estabelecimento, bateu em cima da mesa e disse: “aqui não, hein”. O casal que se sentiu extremamente constrangido, terminou de tomar a cerveja e foi embora.

Incomodado, Diego publicou o ocorrido nas redes sociais, porém não imaginava o resultado que seu post iria obter. Seu intuito era que a publicação chegasse até o estabelecimento para que, de alguma forma, o posicionamento do bar mudasse. Apesar da maior repercussão ter sido a mobilização de todos os gêneros, ele chegou a receber ameaças de outras pessoas.

Márcio Marins, responsável pelo grupo Dom da Terra Afro LGBT, junto com a Associação Paranaense da Parada da Diversidade, conta que “esses grupos em conjunto acolhem e ajudam as vítimas a enfrentaram qualquer tipo de descriminação”. Foram eles que organizaram um evento e chamaram as pessoas através das redes sociais para um "beijaço" em frente o bar.

O local de encontro foi a praça Tiradentes na noite do dia 9 de junho. Apesar de, até o horário do encontro, no evento do Facebook, 376 pessoas terem confirmado presença e, aproximadamente 50 pessoas participaram.

O dono do bar que chegou a contratar seguranças para o dia do beijaço, disse que é direito deles protestarem, porém estava prevenido caso acontecesse algo. “Como podem ter pessoas com o interesse de uma manifestação pacífica, pode ter alguém que vai querer brigar”, completou.

Apesar do ocorrido, Luciano afirma que “a política do bar não é contra gays”. Os manifestantes, que ficaram menos de 30 minutos na frente do bar, cantaram hinos com tambores e teve beijaço sim.

De acordo com o Departamento Nacional de Direitos Humanos, parece haver uma certa confusão relacionado ao direito do cidadão a lugares públicos e privados. Pois bem, espaços públicos livres são aquele nis quais a população tem pleno direito de ir e vir, como as ruas, praças, praias e parques. Os espaços públicos com restrição, tem a presença controlada e restrita a determinadas pessoas, edifícios públicos, hospitais são alguns exemplos. Já o espaço privado, é de propriedade privada, de alguém ou de alguma empresa. Porém, por mais que o estabelecimento seja privado, se ele é aberto ao público ninguém, nem o dono do lugar, pode colocar suas próprias regras que discrimine.

Este site foi criado em 2017 pelo curso de Bacharelado em Jornalismo do Centro Universitário Internacional.

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