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Uma narrativa sobre a memória, o tempo e a empatia em “O muro dos mortos”

Autor: Thales Godinho - Especial para a CNU

O muro dos mortos” é um convite para olhar o passado e refletir sobre o presente e o futuro. O drama francês de Eugène Green foi exibido pela primeira vez no Brasil no Olhar de Cinema, em 19 de junho de 2023, como parte da mostra Exibições Especiais.


Eugène Green é um cineasta francês que nasceu em Nova York, em 1947, e se mudou para a França em 1969. Ele é conhecido por seus filmes que exploram temas como a linguagem, a arte, a fé e a identidade. Seus filmes são marcados por um estilo distinto que inclui diálogos declamados, planos fixos, cores vivas e referências à cultura clássica. Logo antes da exibição do filme no festival, a equipe do Olhar de Cinema exibiu um curto vídeo do diretor para o público, em que Eugène gasta o português improvisado para antecipar algumas ideias e propostas do filme.


A obra é uma homenagem aos mortos da Primeira Guerra Mundial e parte da descoberta de um muro que registra os nomes dos soldados franceses mortos durante o conflito. O diretor explora a ideia de que esses mortos ainda estão presentes na memória coletiva e na história da França, e que eles podem nos inspirar a lutar por um mundo mais justo e fraterno. O filme também é uma reflexão sobre o papel da arte na sociedade, como uma forma de expressar sentimentos, ideias e valores que transcendem o tempo e o espaço.


A narrativa se baseia em noções de tempo passado, presente e futuro do filosofo Santo Agostinho para compor uma tese que incita a memória e a empatia com o sofrimento passado, agir no presente para melhorar o futuro. Para dar vida a esse propósito, o diretor utiliza de metáforas alegóricas que esbanjam uma fantasmagórica espiritualidade, elemento costumeiro em seus filmes. De forma leve e sóbria, Eugène entrega um média-metragem de cinquenta minutos que se sente sucinto, mas didático, comovente e confortável.


O elenco formado por Saia Hiriart, Edouard Sulpice, Françoise Lebrun, Lola Le Lann e Alex Terrier-Thiebaux merece destaque, em atuações discretas, porém envolventes, que garantem os olhares do público. A performance de Le Lann garantiu o prêmio de melhor atuação feminina na 20ª edição do Festival de Brive, na França.


A mostra Exibições Especiais se propõe como um espaço livre para filmes brasileiros e internacionais que mesclam temas e grandes nomes do cinema. Além do filme francês, a edição deste ano da mostra exibiu os brasileiros “A Invenção do Outro” e “Caixa Preta”, o chileno “Anotações para um Filme”.


A Uninter é uma das patrocinadoras do festival, e a Central de Notícias Uninter (CNU) fez a cobertura de todos os dias do evento. Confira todas as matérias neste link.




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