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Quando o sentimento humano é televisionado

Autor: Tiago Polonha

O maior reality show do Brasil contou com um fato inusitado nos seus últimos capítulos: a transmissão ao vivo de duas pessoas vivenciando o luto. Na última semana do Big Brother Brasil, dois fatos ultrapassaram a tela e tocaram no mais profundo sentimento humano. Primeiro o apresentador Tadeu Schmidt, que perdeu o seu irmão mais velho Oscar Schmidt no dia 17 de abril. Dois dias depois, a participante Ana Paula Renault também descobre o falecimento de seu pai Gerardo Renault. Esse fato se tornou ainda mais comovente, pois Ana Paula até então era a grande favorita a ganhar o prêmio do programa.


Mesmo sendo chamado de “reality show”, o programa muitas vezes é visto como uma grande vitrine para marcas fazerem propaganda, deixando de lado a vida pessoal de cada confinado, focando apenas em pequenos momentos de convivência dentro da casa. É um pequeno recorte da sociedade que vivemos, porém, controlado pelos produtores. Mas os fatos vistos nessa reta final do programa extrapolam o entretenimento da mídia e tocam profundamente o sagrado humano. Após a confirmação da morte do irmão, Tadeu aparece ao vivo ao público dizendo que a maior homenagem a Oscar seria apresentar o programa “Estou aqui pro jogo e ai de mim se não tivesse. Oscar iria ficar muito brabo comigo se não viesse trabalhar, então estou aqui”, diz Tadeu Schmidt. Ao vivo no programa, Tadeu deixa lágrimas rolarem de seus olhos, mostrando a sua dor humana, antes de assumir o papel de apresentador.


Ao anunciar a morte de Gerardo Renault, Tadeu ainda quebra o protocolo do programa, contando de seu luto, para Ana Paula Renault, como um gesto de força: “sabe quando a gente está sofrendo e a gente se dá as mãos para ficar mais forte? Então, sem querer fazer comparação nenhuma, eu só queria te abraçar de verdade e te contar que eu também estou vivendo um luto: meu irmão morreu anteontem. Então, só para dizer que respeito demais qualquer coisa que você fizer”. Esse momento é histórico na televisão brasileira e é considerado pelos espectadores como um dos gestos mais bonitos da história do BBB.


No mundo individualista, onde pessoas se escondem atrás dos computadores, criando personagens para criticar qualquer pensamento contrário ao seu, um programa televisivo nos lembra que o outro, mesmo através de uma tela, continua sendo humano e carrega suas próprias histórias. O final desse BBB se torna uma grande aula de empatia e de acolhida. Ao ser consagrada campeã do programa, Ana Paula não escondeu sua felicidade e surpresa, mas fez isso também carregando a dor do luto, chorando ao abraçar seus familiares. Cada um carrega sua história, cada um sabe as dificuldades e dores que enfrenta no caminho. Se conseguirmos olhar para o outro com esse olhar humano e empático, talvez consigamos criar um mundo mais acolhedor.



1 comentário


Viraz Krom
Viraz Krom
23 de abr.

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