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A relação dos transtornos mentais com a compulsão alimentar no Brasil

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o ato de comer imoderadamente, mesmo sem estar com fome, atinge 4,7% da população no país

Alimentos calóricos procurados por pessoas com compulsão alimentar (Créditos: Pixabay)


As doenças emocionais tiveram um crescimento considerável em todo o mundo desde a virada do século. Em 2019, quase um bilhão de pessoas, incluindo 14% dos adolescentes do mundo, viviam com algum tipo de transtorno mental. O suicídio foi responsável por mais de uma em cada cem mortes, e 58% dos suicídios ocorreram antes dos 50 anos de idade.


A ansiedade e a depressão são as doenças que lideram as pesquisas recentes da OMS. E, de acordo com a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), alguns transtornos mentais como esses podem resultar também em transtornos alimentares. Incluem-se nesse tipo de relação, a anorexia nervosa, a bulimia nervosa, os transtornos da compulsão alimentar, entre outros. Para cada transtorno, estão definidos critérios específicos no manual, como a frequência e a duração dos episódios do respectivo comportamento, necessários para um diagnóstico médico.


No Brasil, a situação não é diferente. Segundo dados do DataSUS, só em 2021, morreram cerca de 18.409 pessoas vítimas de transtornos mentais e comportamentais. A situação se torna ainda mais grave quando se observam os mesmos dados do início do século 21, quando o número de mortes por essa mesma causa não passava de 6.189. Ou seja, de lá para cá, houve um crescimento de aproximadamente de 197,45%.



A psicóloga especialista em capelania e aconselhamento, Kauane Linassi, explica a relação dos transtornos mentais com a compulsão alimentar. Para ela, a alimentação possui uma estreita relação com alguns desses diagnósticos, isso porque, na intenção de controlar os efeitos de algum tipo de transtorno, o indivíduo passa a comer mais ou menos. De acordo com Linassi, “transtornos como a ansiedade, por exemplo, fazem com que a pessoa tenha um desequilíbrio do neurotransmissor serotonina que é responsável pelo humor, regulação da ansiedade e sensação de fome, fazendo com que o portador da doença faça uma maior ingestão de comida como mecanismo de escape das situações vividas”.


E ainda, para Linassi, na fuga para os alimentos, pessoas com algum tipo de transtorno como esse, têm preferência por determinados tipos de alimento. “Há influência também no momento de escolher a refeição, geralmente o indivíduo irá optar por alimentos com alta carga energética e calórica, na busca do sentimento de prazer”, afirma ela.


A psicóloga destaca que, a luta contra algum tipo de transtorno mental, além da busca por profissionais capacitados, também parte da própria alimentação saudável, com uma dieta rica em determinadas vitaminas. Linassi, apresenta uma série de alimentos que podem ajudar pessoas com transtorno de ansiedade, responsável, que tem como um dos sintomas, a compulsão alimentar. “Os nutrientes que atuam no controle da ansiedade são os triptofano, ômega 3, magnésio, vitaminas do complexo B e vitamina D. Encontra-se triptofano em leite, ovos, carnes, frutos do mar, cereais integrais, batata, couve-flor, berinjela, soja, banana, kiwi, brócolis, tomates e nozes; ômega 3 em peixe, soja, girassol, milho; magnésio está presente em castanhas, nozes, amendoim e cacau. Alimentos ricos em vitaminas do Complexo B são carne vermelha, ovos, vegetais verdes, feijão, lentilha, leite e derivados. E por fim, a vitamina D, encontra-se em gema de ovo, óleos de peixes, alimentos fortificados, tais como soja, leite de vaca e cereais, no entanto, a sua principal fonte é a exposição solar”, termina ela.

Psicóloga Kauane Linassi, especialista em capelania e aconselhamento. (Créditos: arquivo pessoal)

Ajuda profissional e mudanças de hábito na luta contra o transtorno alimentar


O editor Erick Silva Barbosa, há dois anos, teve que lidar com a depressão e o transtorno alimentar. Quando recebeu o diagnóstico, logo iniciou uma busca por tratamento. Diversos profissionais foram recomendados, como psicólogo, psiquiatra, nutricionista e preparador físico.


Erick explica que foi com esses profissionais que sua vida mudou. “Com o nutricionista, aprendi a comer de forma saudável. Com o educador físico, comecei a fazer exercícios. Com o psicólogo, aprendi a lidar com minhas emoções de uma melhor forma. E com o psiquiatra, iniciei o tratamento com medicamentos contra a depressão”.


Com o tempo, os resultados foram inevitáveis, Erick perdeu vinte quilos, e ganhou dez quilos de massa magra, e com os profissionais de saúde mental, tem sabido lidar com a questão da compulsão alimentar. “Hoje eu estou muito feliz com minha recuperação. Estou mais saudável, mais feliz e mais confiante”, afirma ele.


O editor incentiva a todos na busca por ajuda profissional capacitada para lidar com esse tipo de diagnóstico, e que não é preciso ter vergonha de pedir ajuda. “Compartilho minha história, pois espero que minha história possa ajudar outras pessoas. É possível superar a depressão e a compulsão alimentar, termina ele.


Antes e depois de Erick. (Créditos: Elisa Bazzo Silva)

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