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A queda da cobertura vacinal no Brasil: problemas e possíveis causas

Os baixos índices de vacinação preocupam especialistas e órgãos governamentais que promovem a saúde pública


Brasil registra grave redução da cobertura vacinal


A queda da cobertura vacinal nos últimos anos é uma realidade que tem gerado preocupação em especialistas e órgãos governamentais responsáveis ​​pela área da saúde. A piora progressiva nos índices é um problema verificado não só no Brasil, mas nos países das Américas, de um modo geral.


De acordo com notícia publicada no site da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que atua como escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas e é uma agência especializada em saúde do sistema interamericano, enquanto em 2010 as Américas eram a segunda região do mundo com a maior cobertura vacinal relacionada, atualmente passaram a ser a segunda região com os piores índices de vacinação.


No Brasil, a partir dos dados obtidos na plataforma Tabnet do site DATASUS , é possível observar que os índices de cobertura vacinal tiveram uma queda relevante em 2016 e se agravaram durante e após a pandemia da COVID-19. Em 2023, as taxas de vacinação são consideradas as maiores perdas já registradas, com apenas 47,93%, o que tem gerado preocupação.


Gráficos dos índices de cobertura vacinal no Brasil no período 2012 a 2023


Aumento do risco de surto de doenças preveníveis por vacinação


Um dos grandes problemas da redução das taxas de cobertura vacinal é o aumento do risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação e que até já tinham sido eliminadas no Brasil, como a poliomielite.


Segundo notícia publicada no portal da FIOCRUZ, entre 1968 e 1989, foram registrados quase 27 mil casos de poliomielite no Brasil. O último caso no país foi registrado em 1989 e, em 1994, as Américas receberam o certificado de eliminação da doença.


Porém, com a queda da cobertura vacinal, sobretudo de crianças, o risco de novo surto desta e de outras doenças preveníveis por vacinação, como a difteria, tétano, coqueluche, sarampo, aumentou consideravelmente e, conforme noticiado pela OPAS, atingiu o nível mais alto nas Américas em 30 anos. Essa situação fez com que o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, Jarbas Barbosa, convocasse os países a intensificarem urgentemente os programas de vacinação, durante coletiva de imprensa realizada em 20 de abril de 2023.


Atuação da OPAS e das entidades governamentais brasileiras contra o problema


Com o intuito de contornar a situação e melhorar as taxas de cobertura vacinal, a Organização Pan-Americana da Saúde promoveu, por exemplo, no período de 22 a 29 de abril de 2023, a Semana de Vacinação nas Américas, com o tema “Mantenha-se em dia #CadaVacinaConta”. Segundo o diretor da organização, esta semana é “uma estratégia extraordinária para complementar os esforços dos programas nacionais de imunização”.


Ações de incentivo à vacinação tentar reverter a queda dos índices de cobertura vacinal


No Brasil, a principal iniciativa para aumentar os índices de vacinação da população consiste no fortalecimento e aperfeiçoamento do Programa Nacional de Imunização — PNI , formulado pelo Ministério da Saúde em 1973 e institucionalizado em 1975, com o intuito de melhorar a qualidade de vida da população com a prevenção de doenças.


Atualmente, o Programa é um dos maiores do mundo e oferece 45 imunobiológicos diferentes para toda a população, de acordo com informações constantes da página do Ministério da Saúde, acompanhando o Calendário Nacional da Vacinação.


Possíveis causas da redução das taxas de vacinação



As causas da redução da cobertura vacinal ainda são objeto de estudo, mas algumas possibilidades são mencionadas em um relatório constante do Acórdão nº 2622/2022, do Tribunal de Contas da União (TCU) de relatoria do Ministro Vital do Rêgo.


Segundo o Relatório, as principais possíveis causas da queda da cobertura vacinal no Brasil, sem pretensão de esgotá-las, considerando a revisão da literatura sobre o tema e entrevistas com especialistas, podem ser sintetizadas nos grupos gerais a seguir:

  • Falsa percepção do risco de não se vacinar;

  • Descrença na segurança e eficácia das vacinas;

  • Falta de confiança no serviço de vacinação;

  • Dificuldade de acesso;

  • Imprecisão dos dados;

  • Gestão das ações de saúde.


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