• Sabrina Fernandes

O retorno do futebol em meio a pandemia é mesmo necessário?


Foto: Pixabay

Brasil, setembro de 2020, mais de 130 mil mortes pelo novo Coronavírus, e o campeonato brasileiro? Paralis... rolando, isso mesmo, nona rodada. Toda partida, times com desfalque porque um ou mais jogadores testaram positivo para Covid-19. Os números, agora, estão em baixa, mas quando o futebol retornou, a pandemia estava no pico - guarde bem essa informação, ela será usada mais pra frente. Estádios sem torcida, comemorações sem calor humano e os clubes necessitando do valor que entrava em caixa por conta de ingressos vendidos e patrocínios.


São tantos pontos que podemos discutir sobre esse assunto, mas uma pergunta se torna obrigatória: será que agora é mesmo necessário a volta do futebol? O futebol não é serviço essencial, assim como mercados ou farmácias. Qual será realmente o motivo dessa volta? Dinheiro? Poder? Egoísmo?


Há poucos dias para seu retorno na libertadores, o Boca Juniors, time mais popular da argentina, vive dias difíceis. São 14 jogadores do elenco infectados pela covid-19, além de cinco membros da comissão técnica. Entre os jogadores, os quatro goleiros do time estão com a doença. O contágio massivo no elenco ocorreu mesmo após a equipe ter ficado em isolamento por dez dias. Um infectado acabou passando a doença para os outros, e mesmo todo o planejamento feito não foi capaz de evitar o contágio.

Agora voltando ao assunto central, temos que pensar que o futebol voltou porque tem gente que depende diretamente do dinheiro que os clubes pagam. E, sim, desde os jogadores, até o roupeiro do clube, tudo gira em torno do dinheiro, mas não será egoísmo ter que escolher entre isso ou vidas humanas? É um momento de fragilidade emocional de todos, pois não temos certeza de mais nada, nem se vamos pegar a doença, nem se já pegamos e fomos assintomáticos, ou sequer quando tudo isso vai acabar.


Como já dito antes, a média móvel de mortes por Covid-19 está em queda no país. Até o momento de publicação desse artigo. eram 13 estados mais DF em estabilidade, ou seja, onde a média diária de mortes variou até 15% para mais ou para menos. Mas, cada dia que passa, as descobertas sobre a doença aumentam, estudos já mostram que ela afeta o sistema neurológico e nervoso, além das sequelas deixadas em quem se curou. E tudo isso que sabemos pode ainda não ser tudo.


Conversando com essas pessoas, descobri que o paladar e olfato já não são mais os mesmos, e mesmo após algumas semanas, simplesmente caminhar dentro de casa já era motivo para gerar uma canseira. Agora pense nesses sintomas em atletas de alto nível, que usam seu corpo para trabalhar. Este é o ponto em que eu queria chegar. Isso poderia ser evitado. O atleta poderia ficar dentro da sua casa, sem se expor ao risco de contrair o vírus. Mas ele foi aos treinos, jogos, entrou em contato com outras pessoas que também entraram em contato com outras diversas pessoas.


O que sabemos sobre a doença não é muito, mas certamente assusta. E as mesmas perguntas feitas no início, deixo no final. Será que agora é mesmo necessário a volta do futebol? Qual será realmente o motivo dessa volta? Dinheiro? Poder? Egoísmo?

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