Paraná é o segundo estado com mais contaminação por agrotóxicos

Segundo dados da Secretaria de Saúde do Paraná, ao menos onze agrotóxicos são encontrados na rede fluvial paranaense

 

A maioria dos agrotóxicos liberados no Brasil são proibidos na União Européia, e estão associados ao desenvolvimento de doenças como o câncer. (Créditos: Amanda Zanluca)

 

O Paraná é o segundo maior produtor de agrotóxicos do Brasil, é o que aponta o estudo realizado pelo projeto Vigiagua, realizado pela Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa). Além do mapeamento nos alimentos, o estudo ainda registra uma intensa quantidade de pelo menos onze agrotóxicos no abastecimento de água. Comparado aos outros estados, o Paraná fica em segundo lugar no ranking de contaminação, atrás apenas de São Paulo, que registrou 27 agrotóxicos. Entre as substâncias estão presentes: o Alaclor, Atrazina, Metacloro, Simazina e o Terbufós, defensivos proibidos na União Européia por oferecerem riscos à saúde.

 

No Paraná, dados do DataSus registraram mais de nove mil casos de intoxicações por agrotóxicos em dez anos. Desde 2010 houve um aumento de 20% nos casos de intoxicação, passando de 750 em 2010 -para cerca de 900 casos em 2017. As notificações são por intoxicação por agrotóxicos agrícola, doméstico e saúde pública, sendo o maior índice no setor agrícola.

 

 

A maioria dessas substâncias presentes na água foram banidas há muito tempo, é o que afirma a engenheira sanitarista Alana Flemming da Sesa. De acordo com ela, os venenos ainda são encontrados por não serem degradáveis neste período, o que impossibilita o tratamento de purificação da água.

 

A raiz desse problema, alerta Alana, é muito mais antiga e profunda. “O saneamento básico do Brasil é muito precário. A gente não consegue tratar e nem analisar os sistemas de esgotos da cidade, muito menos da zona rural. E como não tratamos direito o esgoto das cidades, ele vai parar direto na água. Esse é um dos fatores para a água do Brasil ser contaminada”, afirma a sanitarista.

 

Segundo Juliana Cequinel, bióloga da Divisão de vigilância de Zoonoses e Intoxicações (DVVZI) da Sesa, não há como afirmar que há um uso seguro de agrotóxicos. “Qualquer um pode ser prejudicial à saúde e ao meio ambiente. Dependerá muito da quantidade, da utilização, das condições ambientais, entre outros fatores, para sabermos quanto a toxicidade desses agrotóxicos”, explica a bióloga.

 

Programa incentiva a produção orgânica no Paraná

 

 

Devido aos altos índices de contaminação por agrotóxicos no Paraná, novas medidas estão sendo utilizadas para reduzir esses números, como o Programa Paraná Mais Orgânico, foi criado pelo Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) com o objetivo de realizar ações de extensão e assistência técnica rural.

 

O programa é o pioneiro no Brasil em certificação pública, e é voltado para os produtores que tenham interesse em converter suas propriedades para os sistemas orgânicos de produção.

 

Ao longo dos10 anos do programa, foram mais de mil produtores certificados. “Isso mostra a importância do programa de certificação para a contribuição da atual posição do Paraná, como o Estado brasileiro com o maior número de produtores certificados na produção de orgânicos” , afirma o engenheiro agrônomo, Eduardo Javier Morone.

 

 

 

 

O programa Paraná Mais Orgânico presta assistência aos produtores desde 2009 e está em sua quarta fase que será concluída em 2020. (Créditos: Amanda Zanluca)

 

 

Os impactos causados ​​pelo uso de agrotóxicos no meio ambiente e na saúde humana

 

Os impactos dos agrotóxicos alteram a composição do solo, contaminam a água e o ar, interferindo nos organismos vivos terrestres e aquáticos. Provocam transformações do ecossistema e interferem negativamente na saúde humana, por uso, inalação ou contato. A exposição pode causar patologias como transtornos mentais, distúrbios oculares/auditivos, neurológicos e formação congênita.

 

 

 

Confira o material produzido pelo jornal britânico The Guardian a respeito das conseqüências ambientais e econômicas, provocadas pelas liberações de agrotóxicos no Brasil.

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