Os bastidores do voluntariado na Assessoria de Imprensa da Campus Party Goiás 2019

Um cadastro feito online. Seleção confirmada. Alguns dias depois e me situo na capital do Estado de Goiás, Goiânia, no maior shopping do Centro-Oeste do Brasil, o Passeio das Águas. Aconteceria ali nos próximos 5 dias a maior imersão tecnológica da América Latina promovida pela primeira vez em solo goiano. Começava a Campus Party Goiás.

Ao longo de 5 dias, fui voluntário no setor de Assessoria de Imprensa da Campus Party Goiás, supervisionado pelos profissionais Fernanda Arantes e Paulo Moura, da Virta Comunicação Corporativa, empresa contratada pelo evento. É no embalo de uma narrativa pessoal acompanhada de uma entrevista que conto como foi trabalhar e me divertir neste evento.

Treinamento no primeiro dia

A Campus Party reuniu mais de 4 mil campuseiros e teve público superior a 40 mil pessoas entre os dias 04 e 08/09 (Foto: Bruno Cidadão)

Às 15h40 de terça-feira, 03/09, eu contabilizava exatamente 10h40 minutos desde o momento em que embarquei no ônibus da cidade de Unaí-MG em direção à Goiânia-GO, a 400 Km dali. Apesar da distância consideravelmente pequena para o tempo total da viagem, houve uma conexão em Brasília aonde precisei realizar provas antes de embarcar novamente, agora em uma carona contratada via aplicativo de celular.

O sol queimava quando começou o treinamento. Junto a cerca de outros 30 voluntários de outras áreas do evento, adentramos ao espaço aonde aconteceria tudo. Alguns ali já eram campuseiros veteranos – o nome que se dá a quem já participou de outras edições do evento -, mas eu não. Era minha primeira Campus Party. Era meu primeiro grande evento – a expectativa total de público para esta edição era de 40 mil pessoas.

Instruções gerais dos representantes de cada área do evento, um tour pela infraestrutura e logo fomos apresentados ao camping. Organizei ali minha barraca, desfiz minha mala dentro dela e me programei para o próximo dia, quando eu conheceria meus supervisores de campo e participaria da primeira coletiva de imprensa como aprendiz de assessor de imprensa e não como repórter.

04 de setembro de 2019, primeiras impressões

Dezenas de profissionais de imprensa estiveram na Coletiva de Imprensa da Campus Party Goiás (Foto: Bruno Cidadão)

Confesso que era um assunto nebuloso. Eu já havia lido como seria um trabalho em assessoria, mas isso estava muito ligado à produção de releases. No entanto, num grande evento como a Campus, as coisas mudam de figura. O release havia sido enviado muitos dias antes. Ali, mesmo de posse de todas as informações, o jornalista necessita ser acompanhado porque o espaço é gigante e muitas vezes causa confusão mental, portanto, o assessor atua na mediação e no acompanhamento físico das equipes.

Depois de um leve imbróglio com a credencial para entrada, foi a hora de chegar perto do palco em que aconteceria a coletiva. Conheci meus dois supervisores, ambos muito experientes. Foram poucas as palavras trocadas no primeiro momento, mas quase sempre era eu perguntando. Tivemos a coletiva de imprensa e o tour pelos espaços do evento com os jornalistas. Quando acabou, vieram os campuseiros para a Arena e eu continuei observando, perguntando e, por vezes, anotando no celular algumas impressões e detalhes.

Especificamente naquele dia nada do que eu havia lido sobre meu papel numa assessoria de imprensa havia se confirmado. Pelo contrário, tudo era absolutamente novo e isso me deixou consciente de que no dia seguinte mais dúvidas surgiriam e eu precisaria tirá-las até ter total certeza do meu papel.

05 de setembro de 2019, um dia tenso

Repórter da TV Anhanguera grava reportagem ao vivo sobre batalha de drones na Campus Party Goiás (Foto: Bruno Cidadão)

Praticamente não parei neste dia. A movimentação foi intensa na parte fechada e na parte aberta do evento. Muitas equipes de reportagem. Nos dividimos e eu pude acompanhar os trabalhos de gravação de pelo menos 4 emissoras distintas. E, pela primeira vez, acompanhei a gravação de uma reportagem ao vivo com link local. Sensacional. Discutimos, eu e meu supervisor, sobre a infraestrutura necessária para a TV cujo o smartphone praticamente aboliu. O papo saiu da técnica e foi para a filosofia. Evolução.

Por fim, veio a primeira tarefa a ser desenvolvida individualmente: encontrar personagens para uma reportagem de um jornal. Me senti útil. O resultado foi entregue. Apesar de tenso, o dia foi perfeitamente agradável. Eu não queria que isso acabasse, logo lembrei do que o filósofo Clóvis de Barros, palestrante ali naquele dia, falava sobre o dia em que descobriu que queria ser professor. Pude conhecer novas pessoas, escrever, ler, participar de palestras, descobrir desafios que precisavam ser enfrentados. Essa é a magia do evento: o networking profissional.

06 de setembro de 2019, dia de fixar bases

A Campus Party Goiás foi oportunidade para reencontros de alunos e ex-alunos do IFTM campus Paracatu-MG (Foto: Thalu Silva)

Ao lado de um notebook que pipocava notificações de e-mail na tela eu estava. O notebook em questão não era o que eu havia tomado emprestado com uma amiga que chegara de Paracatu-MG, mas sim o do meu supervisor. Entre um olhar e outro, descobri como o fluxo de trabalho da assessoria é intenso e praticamente improrrogável. Não há espaço para digressões ou procrastinação.

Havia sido um dia excessivamente calmo. Eu estava inquieto. No entanto, havia lembrado de um trabalho particular a fazer. Fiz 90% dele, ficando apenas uma entrevista para o dia seguinte. Apesar de não ter ingerido quantidades exóticas de cafeína, o relógio tocava a meia-noite quando eu estava ainda desenvolvendo um plano para um projeto de pesquisa. Perto das 2h da manhã, adormeci finalmente, após escrever e reescrever duas vezes um texto no meu bloco de anotações que no dia seguinte selaria uma troca literária com uma colega de mesa.

07 de setembro de 2019, clima nostálgico

Repórter John William, da TV Anhanguera, “entrevista” o robô sustentável Dinocleyton na Campus Party Goiás (Foto: Bruno Cidadão)

O evento só terminaria no dia seguinte, mas o clima era de despedida. A minha supervisora iria embora no fim do dia, mas não antes de me conceder uma entrevista de 13 minutos, a qual transcreverei partes ao final deste texto. Antes de começar a trabalhar, fui assistir “IT Capítulo 2” graças a uma cortesia do shopping. Apesar da presença do governador do Estado de Goiás para assinatura de um Protocolo de Intenções com o Instituto Campus Party, não haviam muitos veículos de imprensa. O trabalho foi simplificado. Apenas no meio da tarde que houve um acompanhamento mais demorado – e divertido, pois até o robô dinossauro entrou na brincadeira do repórter.

Após um rápido almoço com uma jornalista que eu encontrara dois dias antes e o seu fotógrafo, conhecido ali naquela ocasião, retornei para a Sala de Imprensa. Eu voltei como saí, com um largo sorriso no rosto. Quando saí, havia rascunhado um release sobre a cerimônia que acontecera às 11h. Eu amo escrever. E quando essa escrita serve pra algo é ainda melhor. Era esse o motivo do meu sorriso largo e solto.

Àquela altura, já era possível ver os frutos dos trabalhos de mais de 3 meses que os meus então supervisores haviam feito: diversas reportagens sobre o evento, inclusive uma exibida no maior telejornal do país, em faixa de horário nobre, na maior emissora de televisão da América Latina. Não havia motivo nenhum pra tristeza, mesmo com o cansaço que já cobrava as pernas.

08 de setembro de 2019, o fim

Os elementos de uma cobertura de sucesso: (da esquerda para a direita) o assessor de imprensa, o cinegrafista, a repórter e o entrevistado (Foto: Bruno Cidadão)

Uma das coisas que aprendi nas terapias com minha psicóloga foi que, mesmo boas, as coisas possuem um fim. Mais que isso, é preciso reconhecer o ponto final, a vírgula e as reticências, nunca uma frase sem pontuação. E foi nesse ritmo que acabou a Campus Party Goiás pra mim, com o acompanhamento de uma última entrevista e as despedidas.

Num ritmo de “foi bom enquanto durou” e “amanhã eu volto à minha rotina normal”, me despedi dos trabalhos na imersão. Depois de ter recolhido meus pertences, fiz meu ritual de despedidas. Procurei àqueles com quem dividi os melhores momentos e, com um abraço e rápidas palavras, me despedi. É possível, por mais que não desejemos isto, que nunca mais eu veja alguém dali.

Enquanto isso, porém, os vínculos ali constituídos me acompanham virtualmente, mesmo após as centenas de quilômetros percorridos pra voltar pra casa e um acidente na estrada que fez meu ônibus ficar parado por mais de uma hora aguardando a liberação da rodovia. Aproveitei o tempo para entregar um feedback à coordenadora dos voluntários e atualizar minhas redes sociais.

“O que vai ficar na fotografia / são os laços invisíveis que havia”, cantou Leoni na música que se adequa perfeitamente a este mosaico de laços humanos construídos na #CPGoiás (Fotos: Internet/Reprodução)

A sensação máxima é de dever cumprido. Tenho certeza de que não haveria investimento melhor que esse. Foi mais e melhor do que eu esperava. Agora, compartilho trechos da entrevista prometida no início deste texto.

Fernanda Arantes, gigante e experiente

Em palavras simples e com uma dose acertada de bom humor, Fernanda Arantes, assessora do evento e minha então supervisora, me concedeu uma entrevista. Discutíamos ali como eu qualificaria uma mulher de 36 anos, mãe, profissional de assessoria há mais de 15 anos e responsável por transformar a presença da Campus Party na mídia através de inserções espontâneas nos últimos 5 anos. Foi um desafio que culminou em dois grandes adjetivos que se seguem.