Suzano: O limite entre informação e sensacionalismo

O “Efeito Werther”, utilizado por psicanalistas para explicar a relação entre a mídia e o suicídio, surgiu a partir do romance “Os sofrimentos do jovem Werther”, do alemão Goethe, em 1774. Naquela época o acesso à informação era bem mais limitado, sem o rádio, a televisão ou a internet. Ainda assim, a história alcançou um grande público, dando sequência a uma série de suicídios que rapidamente foram associados à obra

Uma pesquisa publicada em 2015 na revista científica Plos One mostra que os homicídios cometidos em grandes massacres também são capazes de produzir o efeito de imitação. Tratado com cuidado até os dias de hoje, não é por acaso que o suicídio não tem destaque nos veículos de notícias.

A recente tragédia de Suzano, em São Paulo, que ganhou espaço na mídia nas mais variadas plataformas, levanta mais uma vez o debate sobre quando a informação se torna excesso e quais são os limites ao se noticiar esse tipo de conteúdo.

Excesso na forma de noticiar as tragédias e questiona limites. Foto: Jaqueline Deina

Nas primeiras horas após o massacre já havia, nas redes sociais e depois em todos os noticiários, dezenas de vídeos que mostravam corpos ensanguentados, além da gravação da câmera de segurança da própria escola, que evidenciava a facilidade de acesso dos atiradores ao local.

Menos de duas semanas depois, um jovem de 14 anos foi apreendido em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, com uma quantidade assustadora de armas e munições. Ele teria feito ameaças a alguns colegas através de um grupo no WhatsApp.

A informação e o alerta são importantes em qualquer época na sociedade, porém, assim como o debate nos tempos de Goethe, a forma como a mídia lidou com Suzano nos leva a questionar até que ponto esse sensacionalismo todo apenas informa ou se, de fato, é capaz de induzir outros jovens a replicarem esses atos.

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