Para Daiane Andrade, a riqueza do jornalismo está em conectar pessoas a partir das histórias

"Enxergar o outro e fazer com que ele seja visto. É claro que há inúmeros outros prós na profissão, mas eu sou realmente apaixonada por esse aspecto", afirma com uma paixão transcendental pelo jornalismo a jovem repórter Daiane Andrade. Apesar da visão romântica da profissão, ela é pé no chão quando o assunto é lidar com a verdade contida nas histórias das pessoas. "A gente aprende a desconfiar das coisas, a querer ter certeza de tudo, a ser exigente e a perguntar infinitamente", afirma Daiane sobre como a profissão atua na sua personalidade.

 

Repórter da rádio BandNews, Daiane acumula uma vasta lista de passagem em diversos veículos de comunicação em sua carreira. Na atual emissora de rádio em que atua, em 2017, a repórter produziu, dentre outros trabalhos, uma série de reportagens direto do Haiti falando sobre a ação de paz do Exército Brasileiro. 

 

Formada em jornalismo e especializada em jornalismo literário, Daiane é a quarta personalidade da profissão entrevistada da serie Fala Jornalista! publicada quinzenalmente no portal Mediação, sempre com a opinião, dicas e "desabafos" de grandes nomes do jornalismo. Já passaram pelo portal os jornalistas Rogério Galindo, Marcus Reis e Amanda Audi.

 

 

Por que o jornalismo?

 

A minha escolha pelo Jornalismo foi bem clichê: eu gostava de escrever. De ler, nem tanto. Mas sempre tirei notas ótimas nas minhas redações. Só que eu também amava matemática e desenho, o que me levou a pensar em ser professora, na infância, e estilista, no início da adolescência. Mas a vontade de comunicar acabou falando mais alto, muito embora eu seja bastante tímida.

 

Mas a vontade de comunicar acabou

falando mais alto, muito embora

eu seja bastante tímida

 

Antes e depois do jornalismo: como a profissão te transformou?

 

Ser jornalista fez de mim uma pessoa mais crítica. A gente aprende a desconfiar das coisas, a querer ter certeza de tudo, a ser exigente e a perguntar infinitamente, até nos ambientes mais inapropriados. No meu caso, eu percebo hoje que me tornei alguém que se revolta com injustiças, especialmente as injustiças sociais. Mas que também quer mudar a realidade; eu sou alguém que, mesmo com alguns anos de bagagem, ainda sonha em mudar ao menos um pouquinho do mundo.


Qual o conselho você daria para a Daiane estudante de jornalismo?

 

Durma mais.


Qual o desafio das faculdades de jornalismo hoje?

 

Eu penso que o grande desafio do Jornalismo nos dias de hoje é combater as notícias falsas. Esses conteúdos têm provocado problemas em larga escala e, analisando isso à sombra daquela teoria sempre corrente de que o Jornalismo vai acabar, eu penso que o grande papel dos comunicadores profissionais é este: checar, esclarecer e informar corretamente. Isso já é realidade em alguns países do mundo. Acredito que, no Brasil, isso também possa acontecer um dia.

 

O grande desafio do Jornalismo nos

dias de hoje é combater as notícias falsas

 

Melhor da profissão:

 

Estar com pessoas, ouvir e contar histórias de forma humanizada. É a maior riqueza do Jornalismo. Enxergar o outro e fazer com que esse outro seja visto também. É claro que há inúmeros outros prós na profissão, mas eu sou realmente apaixonada por esse aspecto. É algo que, pelo menos por enquanto, não pode ser feito por robôs. O olhar de uma pessoa para com outra pessoa é um gesto, depende essencialmente de sentir determinada realidade. É isso o que nos diferencia, por ora, de máquinas.


O pior da profissão:

 

A pressa que permeia a rotina dos profissionais.


Quem são os teus ídolos no jornalismo?

 

Tenho muitos: Eliane Brum, Caco Barcellos, Zuenir Ventura, Maria Júlia Coutinho (além da fase weather girl), Victor Folquening (falecido em 2012), José Hamilton Ribeiro, Rodrigo Alvarez, Paulo Camargo, Mauri König, e o meu esposo, Jandir Nogueira, que me inspirou a correr atrás de tudo isso.


Qual a melhor reportagem?

 

Tenho duas produções das quais gostei muito. Uma é a série de reportagens que fiz sobre o Haiti em 2017, e a outra foi uma sequência de três matérias sobre o autismo que publiquei no início do mês passado. Acho que representam bem no tipo de Jornalismo que eu acredito.


O que não pode faltar na mochila de um jornalista?

 

Caneta, papel, água, algo que possa matar a fome extrema (porque às vezes, as pautas se estendem mais do que o esperado), atenção, persistência e muita paciência.


O melhor amigo do jornalista é...

 

O olhar.


O jornalismo vai acabar?

 

Vai se transformar. Vai, aos poucos e cada vez mais, assumir novos contornos para se adaptar aos dias de hoje.


Por que o jornalismo importa?

 

Porque sem ele e sem a voz que ele proporciona, o mundo seria, com certeza, ainda pior. Porque o Jornalismo, a meu ver, tem a função de mostrar a realidade como ela é e, consequentemente, produzir principalmente o inconformismo que transforma a sociedade.


Lugar de jornalista é...

 

Todo lugar. O jornalista empresta os olhos, ouvidos e a voz para reportar os acontecimentos, e somente em meio aos fatos é que ele é capaz de cumprir o seu papel. Jornalista de verdade é aquele que está sempre atento - não por não descansar, mas por não conseguir descolar a vocação do indivíduo. Jornalismo é bem mais que uma profissão, é um tipo de pessoa que raramente sossega por completo.


Se não fosse jornalista seria...

 

Sinceramente? Não sei. Talvez investisse mais na carreira de escritora, mas essa é também uma vertente do Jornalismo...


Um recado para os futuros jornalistas:

 

Não desistam. É verdade que está tudo muito nebuloso, mas não há temporal que dure para sempre. Acreditem, como tantos antes de nós fizeram. E mesmo diante de um tropeço (porque ele sempre vem), tenha em mente as grandes premissas da profissão: a verdade, o serviço público, a pluralidade, o respeito.

 

Está tudo muito nebuloso,

mas não temporal que dure para sempre

 

Observações: A foto utilizada em destaque foi de autoria do Flávio Forner | Xibé 

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