A linha tênue entre pessimismo e realismo


(Crédito: Pixabay)

Então eu saio de casa de manhã, é um dia normal em Curitiba. No momento está fazendo 9°C, mas eu sei que depois das 11h a temperatura irá subir para 23°C e terei que sumir com toda essa roupa que estou vestindo. Pois bem, se já não bastasse ter que andar por aí se assemelhando a um camelo, o meu nariz vai trancar ou escorrer (graças à mudança de temperatura) e ainda vou precisar ficar esperando o ônibus enquanto o sol do meio dia me lembra de que, apesar de me importar muito com o meio ambiente, tudo que eu queria agora era um carro.

Para melhorar a minha vida, quando entro no ônibus vejo bem nos últimos bancos aquela garota insuportável que fez o ensino médio comigo (esse é o momento em que me questiono sobre as opções: me jogar da janela, passar por baixo da catraca e descer do ônibus ou então encarar a realidade, como acredito que uma pessoa normal faria). Eu estou tão cansada e com fome que deixo minhas fugas geniais para outro momento, dou aquele sorriso amarelo para a “querida” conhecida, coloco meus fones e finjo que nada me abala.

Talvez eu seja muito negativa, só veja o lado ruim das coisas e isso dificulte que eu seja uma pessoa mais alegre no meu dia a dia, já que costumo ficar chateada até por causa do lixo descartado indevidamente. E é com esse pensamento (de que o problema está em mim) que tento sair de casa todos os dias de manhã para buscar ver o copo meio cheio. E como é difícil! Vocês, que fazem isso, como conseguem? Como conseguem ver alguém dormindo na rua e pensar “nossa, mas o céu está tão limpo hoje”! Vocês realmente não enxergam a pessoa que está ali? Como é que funciona para vocês? Como vocês conseguem olhar para árvore, dizer que ela é linda, sendo que em volta dela não se vê mais grama de tanto concreto em volta?

Sou míope e astigmática e mesmo assim não consigo não enxergar (ou fingir que não enxergo) os problemas que assolam a sociedade. E é a isso que eu atribuo meu círculo vicioso de pessimismo e frustração, a ponto de até o fato de a temperatura se alterar bruscamente (fato que ocorre todos os dias, mas eu nunca me acostumo) me deixar irritada. Eu simplesmente não consigo ficar feliz o resto do dia quando a primeira cena que vejo ao sair de casa é uma mãe e dois filhos pequenos revirando as lixeiras do meu bairro. Infelizmente ainda não encontrei a solução para não ser uma ignorante completa (ou parcial, não adianta muito você ser ambientalista, mas ser racista e misógino) ou não sofrer tanto pelos infinitos problemas existentes no mundo, mas quando eu encontrar irei tornar a fórmula gratuita e darei um jeito de que a sua distribuição não polua o meio ambiente de forma alguma.

Utópica? Eu? Imagina!

Texto editado por: Eugenio Vinci de Moraes e Larissa de Oliveira.

Professor-orientador: Jeferson Ferro.

Este site foi criado em 2017 pelo curso de Bacharelado em Jornalismo do Centro Universitário Internacional.

A reprodução integral ou de parte do conteúdo é permitida desde que citada a fonte, incluindo o nome do autor e do site.

Política de privacidade