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Tistu e o debate sobre a roda do capital e do consumismo

O Museu Oscar Niemeyer (Mon) recebeu nos últimos dois dias do Festival de Curitiba a encenação Tistu – O Menino do Dedo Verde. A peça foi uma das selecionadas para o programa Guritiba, que levou teatro, oficinais, brincadeiras e música aos mini espectadores nos 12 dias do evento na capital paranaense.



“Tistu – O Menino do Dedo Verde” encanta crianças e traz ao palco discussões importantes


O roteiro da peça, estreada em 2013, foi baseado no livro infanto-juvenil Tistou les pouces verts, publicado em 1957 pelo escritor francês Maurice Druon, mas a mensagem que ele carrega continua muito atual. A história se passa em Mirapólvora, uma cidade fictícia economicamente baseada na produção e no comércio de armas.


Os pais de Tistu são donos de uma fábrica de canhão e tentam preparar o menino para assumir os negócios da família, mas isso não era o sonho dele. Tistu não queria saber de riqueza e progresso como seus pais e indagava o porquê deles fabricarem canhões ao invés de sorvete, chocolate, brinquedos ou qualquer coisa que não fizesse mal às pessoas.


A resposta do pai é clara: “por que armas sempre vendem”. É o lucro, o comércio, o capitalismo, falando mais alto. Nessa, que é umas das primeiras cenas da peça, já é possível se questionar se a arte imita a vida ou a vida imita a arte.





Depois de uma professora entrar em contato com a família de Tistu para contar que o desempenho dele não estava bem e que muitas vezes ele acabava dormindo na aula, os pais decidem que o menino deveria começar a ter um contato mais próximo com os negócios da família para deixar de sonhar com estrelas e flores, como vinha acontecendo.


No dia seguinte, Tistu começa um treinamento com o Sr. Trovão, o gerente da fábrica de canhões. Caracterizado como um militar, o Sr. Trovão começa ensinando que o mais importante em uma cidade é a ordem e que Tistu, que vem de uma família rica e elitista, deve assumir seu papel regulador na sociedade.


Ele afirma que cada um tem um lugar determinado e alerta que meninos que não seguem as regras vão a reformatórios para serem castigados. Tistu não concorda com nada daquilo, acredita que não se pode aceitar a ideia de que crianças não tenham mais jeito e, muito menos, esperar que elas cresçam assim. Enquanto o Sr. Trovão instiga Tistu a usar uma farda verde militar e causar medo nas pessoas, o menino aposta que é preciso entregar flores aos adultos enquanto eles ainda são crianças.


Durante o treinamento com o gerente da fábrica de canhões, Tistu conhece o reformatório e o hospital da cidade e percebe o quanto o ambiente de ambos os lugares é triste e começa a pensar que isso também não está certo. Durante a noite, Tistu volta para a casa e se permite sonhar novamente. O nome inusitado do protagonista já revela que ele não é como todo mundo.


Esta tese é apontada em várias cenas, mas é durante uma das aventuras noturnas de Tistu que o público descobre o que ele realmente tem de diferente: o tal dedo verde, que na verdade representa a capacidade de fazer tudo o que ele toca florescer. A partir dessa descoberta, o protagonista começa a plantar jardins por toda a cidade, transformando principalmente a vida das crianças do reformatório e do hospital, mostrando que flores são mais importantes que armas e que o amor é maior que a guerra.


Texto e foto: Jeniffer Oliveira

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