• Equipe Mediação

Homem ao vento: um espetáculo em gestação no palco

Uma peça dentro de outra, como um acoplamento de espetáculos que engolem os espectadores e os colocam frente a frente com a expressividade dos atores. Esta é uma tentativa de descrever as impressões primárias de quem assiste ao espetáculo Homem ao Vento, encenado no último domingo (3) no espaço Caixa Cultural. A agência Mediação assistiu à encenação e traz aqui na cobertura especial um pouco da inundação de cultura e complexidade da obra organizada pelos dramaturgos Marcos Damaceno e Rosana Stavis.


Atriz Bruna Spínola, destaque de expressividade no espetáculo


No palco, que se desdobra em uma fina camada de separação entre os atores e os espectadores, nove personagens se preparam para montar uma peça. É aí que a construção e reconstrução dos personagens e da obra se apresentam e cresce ao longo da peça. Os textos de encenação de cada ator estão soltos e jogados, não há clareza sobre quem é quem na história.

Eis o pulo o gato e a graça da encenação. Em meio ao cenário de conflitos e confusões instala-se em alguns momentos os ruídos da comunicação, o que gera disputas sobre quem será o “pai”, o “amigo”, a “esposa” na peça.

Durante a encenação, o público pôde acompanhar de pertinho, pois o lugar em que ocorre a peça está no centro de um círculo formado pelos próprios espectadores. Os noves participantes não apenas falam durante a peça, como também andavam, trocavam papéis de fala e até jogavam as cadeiras em momento de tensão. Em alguns momentos, sente-se o vento com o movimentar dos atores. Estamos a um palmo da ação.


Os personagens vão se formando em frente dos espectadores

A forma complexa da peça, apesar de confundir um pouco os espectadores, criou um grande impacto positivo. Lourdes Albuquerque, 71 anos, diz que ficou satisfeita com a peça. “Nossa, eu gostei bastante da apresentação. No início fiquei um pouco confusa, mas daí notei que a peça falava do ensaio para uma peça. Confuso no explicar, mas simples ao ver”, contou aos risos.

A impressão da senhora foi a mesma do jovem Igor Silva, de 24 anos. “A maneira como foi contada é bem divertida. Quando você menos espera, um toma a vez do outro na fala, interrompe ou joga uma cadeira contra, bem divertido”, afirma.



Com três exibições e com alta procura, apenas quem antecipou a compra dos ingressos pôde assistir/participar de um dos espetáculos mais envolventes do festival. Muitos que procuraram de última horas não conseguiram ingressos.

Digna de aplausos, a peça arrancou suspiros e risos do público, e fez a imaginação fluir sobre quem será quem na história que eles estavam para contar. Destaca-se, dentre as perfomances, a desenvolvida pela atriz Bruna Spínola, cujos rompantes da personagem transparecia um ar de insanidade, criando um tensionamento constante. Até cadeira e copo “voaram” na atuação dela, tudo isso de repentinamente, sem o público esperar isso.

Além dela, destaca-se também a expressividade do ator Bruno Anacleto, que ao tentar retratar a figura masculina consegue dar vida a um personagem egoísta e cego para os demais, não sendo atento ao que acontece em sua volta e muito menos no que sua esposa e amigo dizem.

Texto, fotos e vídeo: Luis Gustavo

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