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Cidade fria: a expressividade e o amor na língua de sinais

A peça Cidade Fria promove uma experiência instigante. O espetáculo, uma construção coletiva da Cia Encena de Teatro, busca a formação de uma dramaturgia inédita em libras, a Língua Brasileira de Sinais. “É um espetáculo extremamente inovador e experimental, a peça é bilingue e acontece em libras e em português ao mesmo tempo”, afirma Thiago Neves, diretor da companhia de teatro.


Ambientado no período da ditadura militar no Brasil, época em que falar em libras era proibido, o espetáculo se inspira em um cenário de falta de acessibilidade em que o surdo convive no cotidiano. “O nome Cidade Fria representa muito o que o surdo vive pelo mundo. A dificuldade da comunicação, como em ir a um teatro e não ter a tradução em libras. Com isso, queríamos mostrar o frio que o surdo vive”, explica Renato Coelho, um dos atores da peça.



O centro da narrativa é o amor vivido por uma surda e um ouvinte. O casal se relaciona para além da palavra falada. Um amor demostrado através de gestos, abraços e cartas. No entanto, as cenas do amor singelo do casal são cortadas e entra em cena depoimentos reais de torturas que aconteceram na época da ditadura.


O clima é alternado entre tensão e alívio. Os relatos são fortes e marcantes, são histórias de dor e de agonia. Os atores interpretam cenas de violência, estupro e torturas de várias formas, como psicológica. A história de amor do casal traz a leveza de volta ao ambiente. O espetáculo propõe uma obra através da linguagem para o teatro, respeitando a diversidade humana. “Queremos trazer essa igualdade para o surdo dentro do teatro” diz a atriz Maju Canzian.

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